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Ano: 2008

Localização: Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil

Área Total: 60m²

Projeto: ILLA

Execução da Obra: Guilherme Koch

Equipe:  Cláudia Titton, Mariana Hugo e Taís Lagranha

Créditos Fotográficos: Eduardo Aigner

O apartamento de 60m², adquirido enquanto ainda estava em obra, era mais um exemplo das construções reduzidas e enxutas oferecidas pelo mercado atual de POA.

Os clientes, ele designer, e ela publicitária, desejavam um espaço verdadeiramente diferenciado para viver e tinham o despojamento suficiente para isto, dando liberdade às arquitetas para a exploração total dos materiais e das soluções técnicas para a materialização das idéias.

Do ponto de vista conceitual o apartamento é definido, sobretudo, pelo arrojo arquitetônico. A linguagem minimalista foi descartada de inicio. Buscou-se referência em trabalhos de renomados designers da atualidade, e na arquitetura de interiores de outros países, como Londres. As tendências indicavam a mistura de elementos, cores e texturas e os ambientes carregados de informações. Para estimular a criação, as arquitetas elegeram como inspiração a trilha sonora do Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

Na reforma, praticamente todas as paredes pré-existentes foram removidas ou deslocadas para que o espaço pudesse atender com conforto as funções básicas do cotidiano do casal: estar, jantar, dormir, vestir, criar e receber.

Dessa forma os problemas iniciais de espaço foram resolvidos e o apartamento tornou-se versátil e multifuncional.

A versatilidade é demonstrada na capacidade de transformação dos espaços.

O escritório, apelidado de “Caixa de Criação”, serve também como quarto de hóspedes (sofá-cama) e com mínimas mudanças se transformará no quarto do bebê. Os grandes painéis de correr em vidro jateado, quando fechados, conferem ao espaço a idéia de uma caixa de luz e, quando abertos, permitem a total integração deste com as salas, ampliando a área de convívio, tornando o espaço ideal para festas e para receber.

Neste sentido os efeitos luminotécnicos colaboram criando ambientes cenográficos para as diversas ocasiões e ainda reforçam os pontos conceituais do projeto.

Dentre eles está o “quadro-negro” que envolve o volume da lavanderia, e que juntamente com o piso xadrez da cozinha e a bancada de vidro, confere às funções do comer um ar “retro”, quase de boteco.
O design do mobiliário confere multifuncionalidade aos espaços. Os pufes se desintegram da estante da TV, e atuam como acento, revisteiro e mesa de centro. Os peitoris das janelas transformam-se em bancadas, baús e espaços para guardar materiais de desenhos.

Apesar disto o conjunto demonstra harmonia na composição e despojamento na escolha de cores vibrantes e inusitadas. Uma leitura mais atenta revela ainda os resultados das especulações técnicas dos materiais.

O projeto da pia em acrílico e iluminada internamente desafia as limitações do material fazendo-a parecer um paralepipedo esculpido. Também servem de exemplos as grandes prateleiras sem apoios que configuram a biblioteca, o pé da mesa de trabalho constituído por uma pilha estruturada de revistas de coleção, a estante “G” da sala de TV e a bancada amarela, possibilitadas pelo atento detalhamento estrutural.